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terça-feira, junho 03, 2008

ÚLTIMOS DESEJOS DE ALEXANDRE O GRANDE


À beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus 3 últimos desejos:

1 - que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos melhores médicos da época;
2 - que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...); e
3 - que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1 - Quero que os mais eminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;

2 - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3 - Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Os juízes do Adail

FALA SÉRIO

A Corregedoria do Tribunal de Justiça do Amazonas nem afirma nem desmente, mas trabalha com afinco para apurar se – efetivamente - existem juízes do TJA envolvidos na trama que está sendo devassada pela Operação Vorax da Polícia Federal. A ordem daquela Corte é apurar com rigor e destemor. Os indícios são gritantes e outra não seria a razão para a manutenção de tanta impunidade.


Impunidade

Desde 2004, nas páginas deste periódico foram detalhadas as razões para que a saga de Adail tivesse garantias jurídicas de intocabilidade e desenvoltura. Apontamos na ocasião a existência de alguns nomes de magistrados na folha de pagamentos secreta da prefeitura de Coari. Além de parlamentares e profissionais de mídia, evidentemente.


Controle externo

A deputada Vanessa Grazziottin – pra variar - solicitou, por ofício, a intervenção imediata do Conselho Nacional de Justiça, a instância juridicamente encarregada de promover o controle externo das cortes estaduais. Ela sabe que fica muito difícil para a instituição investigar a si mesma.

Deputada pede que CNJ investigue vazamento de informações a Adail

A deputada federal Vanessa Grazziotin pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investigue a conduta de magistrados do Amazonas e de Brasília em relação ao vazamento de informações sobre processos envolvendo o prefeito de Coari, Adail Pinheiro.


De acordo com a deputada, a ação foi protocolada no CNJ no fim da semana passada. “Ele (Adail) tem um aparato de proteção em Brasília e em Manaus, porque sempre consegue paralisar os processos que existem contra ele”, afirmou. Segundo a deputada, muitos processos são sigilosos, mas mesmo assim o prefeito de Coari consegue obter informações privilegiadas e tomar providências antecipadas para se defender. “A casualidade acontece, mas não se repete. É estranho ele não estar em Coari durante as prisões da operação ‘Vorax’”, declarou.

Grazziotin afirmou que não citou nomes ao CNJ, de magistrados ou membros do Judiciário suspeitos de repassar informações sigilosas a Adail Pinheiro. Vanessa disse que tomou a decisão de pedir as investigações depois que soube do possível vazamento de informações da operação ‘Vorax’, deflagrada no último dia 20 de maio, e que prendeu 23 pessoas ligadas ao prefeito. As investigações da PF apontam Adail como o líder de um esquema de desvio de verbas públicas, fraudes em licitações, sonegação fiscal e prostituição infantil.

A deputada também acrescentou que foi ela quem fez a primeira denúncia contra Adail Pinheiro na Justiça, pela falta de repasse dos descontos referentes ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dos professores de Coari. “Quando ele ia ser afastado, conseguiu uma liminar na Justiça que o manteve no cargo”. Vanessa Grazziotin afirmou que não é normal que em todos os processos ele não seja punido.

MPF

O procurador da república Marcos André Carneiro da Silva, responsável pelas investigações da operação ‘Vorax’ no Ministério Público Federal (MPF), informou, por meio da assessoria de comunicação, que vai analisar todos os dados dos vinte volumes do inquérito, antes de dar o parecer sobre o pedido de prisão preventiva de 17 envolvidos. A assessoria informou que não existe um prazo pré-determinado para que o MPF dê o parecer, mas divulgou que o procurador vai usar o tempo que for necessário para fazer sua análise.

Segundo o MPF, Marcos André Carneiro já é o quarto procurador responsável pelo inquérito. A assessoria divulgou que as trocas não atrapalham as investigações. No último dia 30 de maio, o juiz da 2ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), Seção Judiciária do Amazonas, Márcio Luiz de Freitas, não apreciou o pedido de prisão preventiva de 17 envolvidos na operação ‘Vorax’ porque faltava o parecer do MPF.

Juízes ‘na mira’ da Vorax


Ney Mendes - 20/06/2007
Presidente do TJA, desembargador Hosannah Florêncio, diz que investigação não encontrará barreiras no Tribunal. Ele quer punição se comprovado envolvimento

André Alves
Da equipe de A CRÍTICA

O presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA), desembargador Hosannah Florêncio de Menezes, garantiu que a Polícia Federal terá livre acesso a processos administrativos do Poder que possam facilitar as investigações da “Operação Vorax”. “Magistrado não está acima do bem e do mal”, sentenciou o desembargador. Quatro juízes do TJA estão sendo investigados pela operação, conforme divulgou ontem a coluna SIM&NÃO deste jornal.

A deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB) confirmou que pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigação, no âmbito do TJA e em Brasília, de uma suposta rede de proteção ao prefeito Adail Pinheiro que lhe daria amparo com decisões judiciais para mantê-lo no cargo, mesmo com atos ilícitos confirmados. Segundo a PF, Pinheiro é o “chefe” da quadrilha que se beneficiava de fraudes em licitação na Prefeitura de Coari.

Para Grazziotin, “é no mínino estranho” que todas as investigações abertas contra Adail sejam confirmadas, mas, ainda assim, ele consiga se manter no cargo por meio de liminares. “Há um forte indicativo que dessa rede de proteção façam parte alguns juízes”, disse a parlamentar. Segundo a deputada, “quem acompanha minimamente os processos contra ele (Adail) percebe que tem alguém que o protege aqui (no Amazonas) e em Brasília”, afirmou.

Ela lembrou que foi autora do pedido de investigação que descobriu que Adail Pinheiro, em seu primeiro mandato, entre 2001 e 2004, recolheu contribuições previdenciárias de 5 mil funcionários contratados sem concurso público e não repassou os valores ao INSS.

Em fevereiro do ano passado, a 2ª Vara da Justiça Federal do Amazonas condenou Adail Pinheiro à perda do mandato político e determinou a devolução aos cofres públicos de R$ 45,1 milhões “por ato de improbidade administrativa”.

O desembargador Hosannah Florêncio afirmou que as apurações da Operação Vorax, que envolvam juízes, terão todo o apoio da direção do TJA. “Terá todo o meu apoio para que tudo seja apurado nos mínimos detalhes”, garantiu o magistrado.

Corrupção leva povo às ruas



Divulgação/Comissão de Cidadãos de Coari
Moradores de Coari fazem manifestação pública contra corrupção no município e pedem afastamento de prefeito


Aristide Furtado
Especial para A CRÍTICA

A população de Coari resolveu reagir aos escândalos da administração do prefeito Adail Pinheiro. No sábado, a Comissão de Cidadãos do município promoveu um ato público contra a corrupção.

O próximo passo da entidade é a elaboração de um abaixo-assinado que pretende reunir pelo menos metade do eleitorado da cidade pedindo providências da Justiça, Ministério Público, Assembléia Legislativa, Câmara de Vereadores e Governo Estadual.

A comissão de cidadãos foi criada logo depois da Operação Vorax, da Polícia Federal, realizada no dia 21 de maio último, que prendeu vários secretários municipais, parentes do prefeito, empresários acusados de fraudar processos de licitação da Prefeitura de Coari.

O grupo é composto pelo funcionário público Elson Freitas, um dos servidores municipais que foram demitidos em 2002 por Adail, ganhou a questão na Justiça, mas nunca foi reempossado.

Fazem parte também o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Adnamar Maciel, entidade que denunciou o prefeito ao INSS por não recolhimento de contribuições; o ex-vereador Arnaldo Mitouso, presidente do PMN, que ano passado teve o carro queimado, e o presidente do PPS, Lázaro Lopes.

“Nosso objetivo é acompanhar as investigações e dar subsídios à Justiça e à polícia e ao Ministério Público”, explicou Elson Freitas. Segundo ele, o ato público de sábado pediu o impecheament do prefeito. A manifestação ocorreu na Praça da Igreja de São Francisco, no bairro Tauá-Mirim.

sexta-feira, maio 23, 2008

Justiça começa a conceder liberdade



Ney Mendes- 20/05/2008
Sônia é dona da 3S Distribuidora e estava presa desde terça-feira no Complexo Anísio Jobim, em companhia da irmão do prefeito, Elizabeth Pinheiro

Isaac Júnior
Da equipe de A CRÍTICA

Mário Adolfo Filho
Especial para A CRÍTICA

Quase 40 horas depois de deflagrar a Operação Vorax, a Polícia Federal teve de atender a um pedido do juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Márcio Coelho, e soltou, por volta das 23h de quarta-feira, a proprietária da empresa 3S Distribuidora, Sônia da Silva Santos. “Ela é a primeira e única a ser solta até agora”, comemorou, ontem, o advogado da empresária, Rafael Albuquerque, da Chíxaro Cavalcante & Arantes Advogados.

Sônia estava entre os 22 presos na operação, realizada pela PF em parceria com a Receita Federal para desarticular uma organização criminosa em Coari (a 370 quilômetros de Manaus). O grupo é acusado de vários crimes, entre eles formação de quadrilha e fraude em licitações. Os outros integrantes do esquema continuam presos, distribuídos em celas especiais, da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa (homens) e da área feminina do Complexo Anísio Jobim (mulheres).

Sônia da Silva Santos estava presa com a irmã do prefeito Adail Pinheiro, Elizabeth Pinheiro, e a secretária de Finanças do Município, conhecida como Rome Sineide Gomes. “Eles alegaram não ser necessário mantê-la presa em virtude de a mesma não ter criado nenhum obstáculo para a investigação policial”, observou Rafael Albuquerque. “Sobre os outros acusados, a superintendência da PF deve pedir a prorrogação da prisão”, arriscou.

Adail prepara defesa

O prefeito de Coari, Adail Pinheiro, pretende se manifestar e conceder entrevistas à imprensa, porém só depois que explicar o que realmente está acontecendo à população do Município. A informação é da assessoria de comunicação da Prefeitura, que vem recebendo vários pedidos de entrevistas com o acusado de participar de um milionário esquema investigado pela Operação Vorax.

Adail Pinheiro está em Manaus desde a noite de terça-feira, depois de a Polícia Federal ter deflagrado a operação na capital e em Coari. O prefeito se encontrava em Brasília, assinando convênios com o Governo Federal e foi o único, de 23 indiciados, a não ter a prisão decretada pela Justiça.

Por enquanto, o contato de Adail com a imprensa tem se dado, exclusivamente, por meio de comunicados oficiais divulgados pela assessoria. Em um deles, enviado aos veículos de comunicação na terça-feira, o prefeito afirmou que determinou a todos os secretários municipais que os documentos da Prefeitura de Coari e das secretarias fossem franqueados à investigação a fim de esclarecer a verdade dos fatos. Ontem, ele enviou um comunicado à Polícia Federal se colocando à disposição para explicações.

Prefeito se mune de informações

Desde que chegou a Manaus, Adail Pinheiro tem travado sucessivas reuniões com os assessores jurídicos do Município. Ele quer ter embasamento suficiente para conceder entrevista a uma rádio de Coari. A primeira manifestação do prefeito pode acontecer ainda neste final de semana. Informações dão conta de que a população do Município também vem cobrando imediatas explicações de Adail Pinheiro. “O povo está muito revoltado”, disse uma fonte de A CRÍTICA no Município e que pediu para não ser identificada. De qualquer forma, o superintendente da PF, Sérgio Fontes, já disse que Adail Pinheiro, inevitavelmente, será convocado para prestar esclarecimentos durante o processo de investigação. “Seguiremos todas as cautelas legais para chamá-lo. Sem dúvida, ele precisa falar”, disse o superintendente.

PF prende principal assessor de Adail Pinheiro em Brasília

Agentes da Polícia Federal (PF) do Amazonas prenderam, em Brasília, na última quarta-feira, um dos principais assessores do prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PMDB), o secretário de Governo da prefeitura do município, Adriano Salan. O secretário é um dos envolvidos na operação ‘Vorax’ da PF, deflagrada na última terça-feira, para prender 22 pessoas envolvidas em corrupção com recursos municipais. Salan foi o 23º preso na operação.


Segundo a PF, a operação desarticulou um esquema de fraudes em licitações, sonegação fiscal e prostituição infantil, chefiado pelo prefeito de Coari, Adail Pinheiro. A PF estima que tenham sido desviados cerca de R$ 55 milhões. Cerca de R$ 6,8 milhões em dinheiro foram encontrados escondidos numa casa de propriedade da prefeitura.

A prisão de Salan era o último mandado a ser cumprido pela Polícia Federal. Na última terça-feira, o delegado Jocenildo Cavalcante afirmou que Salan não havia sido preso porque estava em Brasília cuidando de serviços da Prefeitura de Coari.

Na tarde da última quarta-feira, a advogada dele, que não quis ter o nome publicado, afirmou que Salan pretendia se apresentar espontaneamente à PF.

A reportagem apurou que agentes federais do Amazonas viajaram a Brasília e prenderam o secretário de Governo no apartamento de um condomínio na área nobre da cidade. Salan viajou para Manaus no mesmo dia da prisão dele, último dia 21, e, até ontem à noite, prestava depoimento na sede da PF.

O secretário de Governo de Adail é funcionário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amazonas e conseguiu licença do trabalho para exercer um cargo de confiança em Coari.

Empresária solta

O juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Mário Luiz Coelho, concedeu, na última quarta-feira, por volta das 22h, a liberdade provisória da empresária Sônia da Silva Santos, presa há dois dias na operação ‘Vorax’, segundo informações do site da Justiça Federal da 1º Região (www.am.trf1.gov.br).

A reportagem apurou que a Justiça Federal analisa outros nove pedidos de soltura dos presos na operação.

O delegado da PF Jocenildo Cavalcante disse, na última quarta-feira, que ‘provavelmente’, não precisará prorrogar a prisão dos 23 envolvidos na operação ‘Vorax’.

O delegado informou ainda que está buscando elementos nos depoimentos dos envolvidos para elaborar um novo pedido de prisão contra Adail.

quinta-feira, maio 22, 2008

Dinheiro escondido em Coari

21-Mai-2008

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Polícia Federal montou uma operação de guerra para trazer o dinheiro encontrado em Coari para Manaus. De acordo com agentes que fizeram a apreensão, a quantidade é tão grande que impressionou a todos os policiais que estiveram na cidade



















Um dos agentes que descobriu o volume disse que nunca tinha imaginado que “pudesse existir tanto dinheiro num mesmo espaço”.

Orlando Farias
Equipe do Em Tempo
diadia@emtempo.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

A “Operação Vorax” já tinha quase 12 horas de duração quando os agentes da Polícia Federal fizeram uma descoberta de estarrecer: a apreensão de uma “montanha de malas com dinheiro”. Foi assim que o coordenador da ação, Jocenildo Cavalcante, anunciou o fato. O dinheiro foi encontrado numa casa do conjunto Naíde Lins, em Coari. Um dos agentes federais que descobriu o volume disse para o coordenador da operação que nunca tinha imaginado que “pudesse existir tanto dinheiro num mesmo espaço”.
O delegado Jocenildo Cavalcante admitiu que pelas informações dos policiais federais em ação em Coari, o volume de dinheiro pode ser um recorde nacional. A quantidade é tão grande que, segundo o coordenador, ficou impossível de ser contado em Coari ou mesmo ser transportado de avião.
Toda a “montanha de dinheiro” pertence ao esquema de fraude e sonegação fiscal montado no município. A informação foi confirmada diretamente pelo superintendente da Polícia Federal, delegado Sérgio Fontes, que, apesar da experiência de ações anteriores, confessou-se impressionado com os relatos. “Segundo eu fui informado, é algo que nunca se viu”, decretou.
O superintendente revelou que o dinheiro foi encontrado a partir de investigações desenvolvidas durante o decorrer do dia de ontem, após as prisões. “Conforme você vai investigando a fundo, as informações vão aparecendo”, destacou o superintendente.
A pista surgiu com os auxiliares do prefeito Adail Pinheiro presos em Coari. Eles chegaram a Manaus a bordo do Embraer-145, avião que ironicamente foi confiscado do megatraficante Fernandinho Beira-Mar. Agentes federais que acompanharam os presos informaram que um deles, um empresário, recorreu ao expediente da delação premiada.
Esse empresário informou a localização de dois novos endereços, além dos 48 onde a PF realizou mandados de busca e apreensão. Na primeira casa, os agentes federais encontraram literalmente o primeiro tesouro: farta documentação sobre as atividades do esquema financiado pelos royalties do petróleo. Da mesma forma que o dinheiro, os papéis só poderão ser manuseados quando chegarem a Manaus. “São muitos e muitos documentos”, reconhece Jocenildo Cavalcante.
Como será impossível trazer tanto dinheiro e documentos de avião, eles serão transportados de barco, de Coari para Manaus, protegidos por uma tropa literalmente armada até os dentes: os 120 agentes federais que atuaram na cidade do gás natural, durante todo o dia de ontem, efetuando buscas, apreensões e prisões.

PF vai prender mais envolvidos

Segundo o delegado coordenador da ação, Jocenildo Cavalcante, a partir do depoimento dos acusados, mais prisões podem ser realizadas. “É necessário que se entenda que as prisões são medidas de caráter extremo. Investigando a participação dessas pessoas nos crimes e avaliando profundamente depoimentos e outras provas poderemos pedir ou não as prisões temporárias”, esclareceu.
As perícias do CGU demonstram, ainda, que somente em 2001 foram realizados pagamentos e saques injustificados da Prefeitura de Coari, sendo que R$ 5,5 milhões foram executados sem suporte documental, causando desfalque ao erário. Em seu relatório definitivo, a controladoria informou que somente no exame amostral realizado ficou comprovado o emprego de notas fiscais inadequadas no valor de R$ 1,5 milhão. Porém, a investigação detectou que somente para cinco empresas foram repassados recursos de mais de R$ 49 milhões. De acordo com a PF, as cinco empresas são Amcom, JBL/Coman, Geométrica, Murai e Mercúrio.

Investigação detalhada

“A investigação é como uma fruta: ela só é colhida quando está madura”. Com essa frase, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Sérgio Fontes, explicou o porquê de o órgão não ter deflagrado antes uma operação para desbaratar um esquema que, segundo a PF, estaria fraudando licitações no município de Coari. Numa entrevista ao EM TEMPO, após a coletiva à imprensa, o superintendente admitiu que é possível até mesmo que políticos tenham se beneficiado de várias maneiras das fraudes para suas atividades.
Quem disparar contra essa operação pelo fato de ela ser realizada em pleno ano eleitoral, o superintendente pretende desmontar o argumento com uma lógica curta e grossa: “Todo ano é ano eleitoral”. Melhor dizendo, como ele explicou, as eleições são de dois em dois anos. Ocorre que um ano antes do pleito é sempre um ano eleitoral porque o processo é antecipado.
Quanto “à colheita do fruto da investigação”, o superintendente afirmou que o trabalho da investigação é metódico feito com muita calma para não cometer falhas. “Um irmão do prefeito (Adail Pinheiro) comandava todo o esquema de maquiagem nas licitações”, destacou o superintendente. “As licitações em Coari não passavam de mera montagem”, diz ele.
“O volume de material que recolhemos nesses mais de dois anos é muito vasto em termos de provas”, atesta o delegado amazonense. Ele negou que a primeira grande operação sob a sua gestão tenha carimbado um “estilo Sérgio Fontes”.
Como coordenador de operações, ou como simples investigador, ele disse que tem lutado para o cumprimento da lei.

Operação parou a cidade

Coari – De acordo com o delegado da Polícia Federal que comandou a “Operação Vorax” em Coari, Geraldo Scarpellini, foram expedidos 15 mandados de busca e apreensão e seis de prisão no município de Coari. Foram presos o ex-secretário Municipal de Defesa Social e Chefe de Segurança do prefeito Adail Pinheiro, Antônio Maria Aguiar Nascimento; o secretário de Obras, Paulo Bonilla, e seu adjunto, Paulo Sérgio Chagas; a secretária de Finanças, Rome Sineide Gomes Melo; o empresário Cesário Menezes e o funcionário da Comissão de Licitações Walter Braga Ferreira.
A PF apreendeu documentos, computadores e cópias de documentos licitatórios, que comprovariam grande parte das acusações apontadas nas investigações.
Durante a operação centenas de pessoas, simpatizantes ou não do prefeito, divididas em dois grupos ruidosos, se aglomeraram em frente à prefeitura de Coari e no aeroporto. Noventa homens da PF participaram da operação em Coari e 16 veículos foram utilizados na ação.

Festas falsas

O chefe de serviço de Fiscalização da Receita Federal, Marcos Neto, informou que, durante as investigações, foram detectados desvios de verba pública na realização de eventos na cidade de Coari. De acordo com Jocenildo Cavalcante, Coari vem se popularizando como um dos pólos festivos e econômicos do Amazonas nos últimos anos. Ele classificou o fato como ‘desrespeitoso’. “É um descaso total com a coisa pública, um desrespeito com o povo sofrido de um município notadamente rico”, disse.

Nota oficial
Em nota oficial, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Coari informou que o prefeito tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa. Atualmente ele está em Brasília, em viagem de caráter oficial, participando de uma marcha da Frente Nacional de Prefeitos.
Segundo a assessoria da prefeitura, o prefeito teria determinado a todos os secretários municipais que os documentos da prefeitura e de suas secretarias fossem “franqueados à Polícia Federal, a fim de esclarecer a verdade”. A nota disse ainda que Adail também se “coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos”.
Não foi divulgado quando o prefeito voltará a Manaus.

Coari é foco de ação com 22 presos

21-Mai-2008
Reinaldo Okita
Superintendente da PF, Sérgio Fontes (segundo à esquerda), com seus delegados, apresentou o balanço da operação que prendeu 22 pessoas em Coari


Pelo menos 180 agentes da Polícia Federal prenderam 22 pessoas envolvidas no megaesquema de desvio de dinheiro público que, segundo a Polícia Federal, é comandado pelo próprio prefeito de Coari, Adail Pinheiro.

Maria Fernanda Souza
Equipe do Em Tempo
mariafernanda@emtempo.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

Um megaesquema, envolvendo desvio de recursos públicos procedentes de convênios federais, estaduais e municipais, além de fraudes em licitações, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e corrupção foi desbaratado ontem pela Superintendência da Polícia Federal no Amazonas (PF-AM) e pela Receita Federal. A “Operação Vorax”, como foi denominada, teve como principal objetivo a desarticulação da organização criminosa que agia na administração do município de Coari (a 368 quilômetros de Manaus). O prefeito do município, Adail Pinheiro, escapou da prisão por possuir prerrogativa de foro, ou seja, só poderia ser investigado, no que diz respeito a crimes federais, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Mesmo assim, o superintendente da PF, Sérgio Fontes, afirmou que a prisão de Adail será pedida novamente, com base no material apreendido.
Na operação de ontem foram apreendidos: R$ 100 mil em dinheiro, vários carros, jóias e uma lancha usada para festas do grupo.
Um total de 22 pessoas foi presa, entre elas a irmã do prefeito Elizabeth Pinheiro, o assessor e “braço-direito” do administrador, Haroldo Portela, e um dos secretários da prefeitura, Adriano Salan. Uma pessoa ainda está foragida.

Um dos irmãos do prefeito Adail Pinheiro também foi preso em Manaus, como suposto dono da empresa de construção civil Growth Engenharia. A polícia acredita que os acusados são suspeitos de ter sonegado tributos federais de R$ 40 milhões, nos últimos cinco anos.

Com o apoio de aproximadamente 180 agentes, vindos de outros Estados do país, a PF deu cumprimento a 22 mandados de prisão e 48 de busca e apreensão. Os documentos foram expedidos pela 2ª Vara da Justiça Federal do Amazonas e pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), depois dos pareceres favoráveis do Ministério Público Federal (MPF).
Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de prisão em Manaus, seis em Coari, um em Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus), dois em Boa Vista (RR) e um em Brasília (DF). As investigações, que duraram mais de três anos, foram coordenadas em conjunto pela PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal, com apoio das Forças Armadas Brasileiras. Entre os presos estão servidores públicos, empresários, funcionários “laranja” e agenciadores diversos.
De acordo com o delegado coordenador da operação, Jocenildo Cavalcante, as investigações apontaram o atual prefeito de Coari, Adail Pinheiro, como o comandante de todo esse processo.
Cavalcante explicou que a prisão temporária do gestor foi solicitada pela Polícia Federal ao MPF, que se mostrou favorável ao pedido. No entanto, por possuir prerrogativa de foro, o prefeito só poderia ser investigado, no que diz respeito a crimes federais, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
“A Justiça determinou apenas que os agentes cumprissem os mandados de busca e apreensão nos escritórios de Adail, em Coari e em Manaus, bem como nas duas residências do prefeito nas cidades. Mas em nenhum momento o fato de a medida não ter sido deferida pode atrapalhar as investigações. Nosso trabalho continua o mesmo”, declarou.

Sem listas

A Polícia Federal está impedida de divulgar nomes e até mesmo imagens de presos pelo órgão nas operações, como a “Vorax”. A determinação é em cumprimento a portaria assinada pelo ex-ministro da Justiça Márcio Bastos.
“Cumprimos ordens. São diretrizes do Ministério da Justiça, que entende não ser necessária a exposição dos presos. Por outro lado, temos também o dever constitucional de respeitar o trabalho da imprensa”, disse o superintendente da PF no Amazonas, Sérgio Fontes.
O EM TEMPO chegou à lista abaixo “garimpando” os nomes de um a um dos presos e aos dados ao lado acompanhando os carros durante a ação.

Investigação desde 2004

As denúncias chegaram ao conhecimento da PF e do MPF ainda no ano de 2004. A partir de então, um inquérito foi instaurado para averiguar as possíveis irregularidades do grupo. O serviço de inteligência da polícia, com o auxílio da Receita Federal e da CGU, entrou em ação dois anos depois, em 2006, por meio de investigações mais aprofundadas. O órgão descobriu a existência de um esquema, no qual empresas fantasmas eram criadas com o objetivo de participar e vencer licitações no município, tendo a prefeitura de Coari como único cliente.
Segundo a PF, os crimes apontam a participação de 150 pessoas ligadas à administração daquela cidade, além de agentes e empresários, tanto do município coariense quanto de Manaus. A Prefeitura Municipal de Coari – por meio de órgãos como a Comissão de Licitações, Secretaria de Finanças, Gabinete da Prefeitura, Secretaria de Saúde e Secretaria de Obras - atuaria na elaboração das licitações viciadas, definindo com antecedência os participantes e ganhadores do processo. Em determinadas situações, nem mesmo processos físicos eram elaborados, como determina a legislação.
Ao todo, a PF investiga 75 empresas dos mais diferentes ramos, tais como construção civil, fornecimento de mercadorias, distribuição de medicamentos, clínicas médicas e promoção de eventos culturais e festivos.

OPERAÇÃO VORAX



Casebre abandonado em Coari PF encontra milhões em malas

A Operação Vorax que desmanchou o esquema de corrupção na prefeitura de Coari, liderado pelo prefeito das corrupções, Adail Pinheiro, resultou na prisão de 22 pessoas, dos 23 mandados de prisão que a Polícia Federal tinha que cumprir. Apenas um homem não foi preso. Mas nos “45 minutos do segundo tempo”, mais precisamente na noite de terça-feira, os policiais foram conferir a informação de que em uma casa abandonada, num bairro de Coari, estavam milhões e milhões de reais enterrados no porão da residência. Foi até o local, onde não tinha ninguém e muito humilde. Porém, acabaram encontrando sete malas, com aproximadamente R$ 1milhão em cada uma, e documentos que foram apreendidos e trazidos para a sede da Polícia Federal, no Dom Pedro.

De acordo com o superintendente da PF no Amazonas, Sérgio Fontes, a Operação Vorax, foi bem sucedida, bem realizada, e superou as expectativas.

“Não esperávamos encontrar no final da operação, uma grande quantidade de dinheiro em uma casa abandonada. Nós tivemos êxito total e acima das nossas expectativas”, declarou.

O montante de dinheiro com aproximadamente R$ 7milhões, foi encaminhado a uma agência da Caixa Econômica para ser contado detalhadamente. Segundo, Sérgio Fontes, a Polícia Federal não poderia informar a quantidade de reais, porque trabalhava em cima de uma hipótese, onde em uma mala foi encontrado aproximadamente R$ 1mi. O dinheiro ficou armazenado nos cofres da Caixa, e ficará a disposição da Justiça.

Federais na caça aos fraudulentos

Os policiais federais desembarcaram na manhã da quarta-feira, em Manaus, na lancha Armindo João da Silva, no porto de um hotel em Manaus, com eles, vieram alguns documentos e os milhões de reais que estavam escondidos no casebre abandonado, em Coari.

A Polícia Federal utilizou aproximadamente 120 homens, que atuaram em Coari, Novo Airão, Brasília, Manaus e Boa Vista. Os federais estavam utilizando o helicóptero Equador III, e a lancha Armindo João, para se deslocar em áreas mais complexas.

Agora a Operação continua sob as investigações da PF, do Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), para punirem os culpados que desviaram recursos públicos em benefícios próprios.

Unidades de saúde e escolas poderiam ser construídas

Com os sete milhões aproximadamente, que foi encontrado pela Federal em Coari, poderiam ser revestidos, em 25 Unidades Básicas de Saúde, com sala do médico, recepção e ambulatório, aproximadamente 15 escolas com 10 salas de aulas, ou a compra de 230 carros populares no valor de R$ 30mil cada um.

“É por isso que a população a cada dia que passa, não confia em mais nenhum político, devido a esses “administradores” que usam o dinheiro próprio para enriquecimento ilícito. E o povo oh!”, ressaltou um funcionário público.

CONTRA CORRUPÇÃO


Polícia Federal exigiu prisão de Adail Pinheiro

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Sérgio Fontes, um amazonense que assumiu recentemente o cargo, prometendo priorizar as operações contra corrupção, o narcotráfico, além da degradação ambiental, pediu a prisão do prefeito Adail Pinheiro, na Operação Vorax. “Ele é o chefe da quadrilha". Segundo Fontes, a prisão de Pinheiro é essencial para apuração dos fatos e foi encaminhada pelo Ministério Público Federal (MPF), mas o Tribunal Regional Federal (TRF da 1.ª Região) negou o pedido. Uma decisão surpreendente à vista das imoralidades e falcatruas, além de preocupante, pois remete a mais uma tentativa, entre tantas, de Adail escapar da justiça todos sabem como. Foi assim, com a cobertura de muitos magistrados, políticos e advogados que Adail conseguiu ficar longe da cadeia, onde ele deveria estar desde que desviava equipamentos da SEDUC, no início dos anos 90, e pratica, de lá pra cá, todo tipo de presepada que incluem crimes de atentado violento ao pudor, prostituição de menores, pedofilia, entre outros.

Caça aos corruptos

O superintendente não escondeu sua indignação muito menos sua decisão de levar a bom termo sua missão, a primeira e mais ambiciosa de sua nova função. Ele conhece bem a terra onde Adail começou a espalhar seu terror moral e administrativa. "Todos os outros mandados foram acatados, menos o dele, o de Adail Pinheiro. Acredito que a Justiça Federal tenha entendido que não era importante a prisão do prefeito, mas, no nosso entendimento, era sim". Sérgio Fontes tem 42 anos, mas uma experiência de combate a corruptos como poucos na Polícia Federal, onde ingressou em 1996. Foi chefe das delegacias de entorpecentes e de crime organizado e superintendente da PF em Roraima. Desde o dia 06 de maio, quando tomou posse como superintendente da PF no Amazonas, a bandidagem começou tremer nas bases quando ele prometeu priorizar 3 áreas: combate a corrupção, crime organizado e crimes contra o meio ambiente.


Ponta do iceberg

Sob a orientação direta do superintendente, a Polícia Federal conseguiu desmantelar uma quadrilha especializada em fraudar licitações no município de Coari, interior do Amazonas, a 370 quilômetros de Manaus. A estimativa inicial é que nesta nova fase o bando tenha movimentado pelo menos R$ 50 milhões, desde que Adail assumiu pela primeira vez a prefeitura. “Mas tem ainda um passivo a investigar. Problemas que o prefeito conseguiu empurrar para debaixo do tapete, como o desvio do repasse das contribuições ao INSS dos servidores terceirizados do município”. Foram cumpridos, na Operação Vorax, uma bactéria que se alimenta do petróleo, 23 mandados de prisão temporária e 48 de busca e apreensão. O esquema é mais ambicioso do que se possa supor e envolve muita gente influente, incluindo parlamentares, magistrados e uma rede complexa e bem articulada de advogados, jornalistas e outros.


Trem da presepada

Segundo o titular da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) da Polícia Federal no Amazonas, Jocenildo Cavalcante, estão envolvidos no esquema 75 empresas de construção civil, firmas que forneciam mercadorias à prefeitura de Coari e empresas de promoções de eventos. Conforme Cavalcante, as empresas participavam dos desvios de recursos públicos, oriundos de convênios federais, estaduais e municipais, "mediante fraudes sistemáticas em licitações", falsificação de documentos, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Alguns profissionais de comunicação se envolveram diretamente com Adail, cuja gestão milionária financiava a pena de alguns especialistas em propaganda e marketing da região, incluindo entidades de classe da indústria.


Centro das indústrias do crime

Adail é o cérebro de uma organização criminosa "especializada em dilapidar o patrimônio público", apropriando-se indevidamente de recursos de origem federal e de royalties recebidos pela prefeitura de Coari na exploração de petróleo e gás natural. Só no ano passado, a Petrobras repassou à cidade R$ 200 milhões em royalties. Vorax, uma bactéria desenvolvida para se alimentar de petróleo, denominou a operação. Dois irmãos do prefeito Adail Pinheiro, Elizabete Pinheiro Zuidgeest, secretária da Representação de Coari em Manaus, e Eduardo Pinheiro, foram presos acusados de participarem do esquema. O ex-secretário de Governo do município, Adriano Salan, e um assessor direto do prefeito Adail Pinheiro, Haroldo Portela, também foram presos pela PF.

Jéferson e Praciano A investigação da PF durou dois anos e foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, por pedido e pressão do deputado Francisco Praciano e senador Jeferson Péres. . Segundo a PF, o esquema fraudulento estava em vigor desde 2001. Um total de 180 agentes federais participaram da ação, que cumpriu mandatos de prisão e de busca e apreensão em Manaus, Coari, Novo Airão (AM), Boa Vista (RR) e Brasília (DF). Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Justiça Federal do Amazonas e pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A assessoria de comunicação da Polícia Federal no Amazonas divulgou ser "praticamente impossível" somar com exatidão o valor dos desvios. "As investigações detectaram que somente para cinco das empresas utilizadas no esquema foram repassados recursos da ordem de mais de R$ 49 milhões", informou. Processo - Em março deste ano, o procurador da República, Alexandre Camanho de Assis encaminhou ação ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região acusando o prefeito Adail Pinheiro dos crimes de obtenção de vantagem ilícita e promessa de vantagem indevida a funcionário público.


Fim de festa

Segundo o procurador, Pinheiro fazia acordos com servidores do INSS para que o município recebesse devoluções indevidas do Fundo de Participação dos Municípios. O prefeito é acusado de prometer 20% do valor restituído a quem fraudasse os sistemas de informática da Previdência. A denúncia do procurador Alexandre Camanho foi baseada em dados fornecidos por auditores fiscais da Previdência Social e agentes da Polícia Federal, que descobriram que entre 2002 e 2004 pelo menos R$ 1,5 milhão chegaram irregularmente aos cofres da Prefeitura de Coari.

FALA SÉRIO

Rabo preso com Adail

Muita gente tremeu nas bases quando o superintendente da Polícia Federal, o delegado Sérgio Fontes de Coragem, pôs em ação seu plano de implodir o império da corrupção chamado Adail Pinheiro. O medo generalizado era a hora da bosta chegar perto do ventilador e o prefeito resolver botar a boca no trombone, espalhando fedor e podridão pra todo lado. Viche Maria da cobra cega! Pouca gente resistiu à tentação Adail.

Royalties da presepada

Desde quando ele pôs a mão na grana dos royalties da Petrobras. Na folha de contracheques secreta do município tem deputado, magistrado, jornalista, empresário de comunicação, de eventos, publicidade e o escambau. Teve juiz, com ameaça de prisão, que já mandou o Maskate dizer que Adail era santo.

Santo do pau oco

O Maskate, conhecedor profundo dos ritos canônicos que precedem a escolha dos que vão ocupar assento especial no banquete celestial, pelas leis do Brasil e do Vaticano, pulou de banda. Alto lá, magistrado, este aí é santo, mas do pau oco, canonizados às avessas e freqüentador assíduo das profundezas de Belzebu.

Cruz credo e crente

E por falar em santo, o católico Omar Aziz, do partido da Mobilização Nacional, foi ontem à casa do Senhor pra expulsar o Satanás e receber o apoio da Igreja Evangélica Assembléia de Deus do Amazonas na sua caminhada à prefeitura de Manaus. Silas, que não entrou no Credo, nem lavou as mãos como Pôncio Pilatos, abriu mão da disputa em troca de um lugar ao sol da municipalidade.

Cachoeira das almas

Acostumados a servir ao Senhor, mas sem abrir mão das bênçãos da Mamona, os evangélicos ainda representam uma força eleitoral significativa e não se importam se Omar freqüenta a Cachoeira das Almas, a Federação Espírita, a sinagoga dos hebreus e se curva às bênçãos de Maomé.

Baixou a crista

Depois de acompanhar atentamente o desenrolar dos acontecimentos do desabamento da casa de Adail de Coari, o senador Jeferson Péres, mesmo assim, não se dispôs a prestar quaisquer comentários. É que depois que a Polícia Federal confirmou a relação promiscua e escandalosa de seu partido, o PDT, com a Força Sindical...

Último bastião

...o senador amazonense, cujo marketing da moralização pública sempre foi sua principal ferramenta publicitária, ficou à pé, sem eira, nem beira de argumentação moral. Péres, que considerava seu partido o bastião da decência, vai precisar trocar de agremiação depois dos bilhões desviados pelo PDT/Força Sindical.

Ninguém Merece!!!

· E não foi apenas Jeferson Péres que se calou. Na Assembléia, onde foi abortada uma investigação proposta por Vera (ex)Castelo Branco, do PTB, do caso Adail, ocorreu um silêncio sepulcral.

· Ninguém falou absolutamente nada e quem cala, ignora ou consente. Como o descalabro é de domínio público...

· O delegado e superintendente da Polícia Federal – que pediu a prisão do prefeito e não foi atendido – tem um dossiê assustador em mãos. E vem coisa feia por aí

· Outro que acaba de dançar a dança dos morcegos é o prefeito de Rio Preto da Eva, cassado em definitivo pela justiça eleitoral, Anderson de Souza e seu vice, Nelson Azevedo.