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quarta-feira, dezembro 28, 2011

Polícia Militar desencadeia mega operação em Coari


A Polícia Militar do Estado do Amazonas realizará de 13 a 23 de janeiro/2012, na cidade de Coari (distante cerca de 365 km de Manaus), uma mega operação denominada “Operação Saturação”. 

A operação visa coibir crimes como tráfico de drogas, furtos, roubos e até o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Participarão da operação, policiais do Comando de Policiamento Especializado – CPE e policiais militares da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar de Coari, além dos parceiros da segurança pública, Polícia Civil, Poder Judiciário e Ministério Público, e também, Prefeitura Municipal de Coari e todos os órgãos componentes do sistema de Defesa Social.

Ao todo serão 42 militares empregados diretamente na referida operação. Segundo o coordenador da Operação Tenente Coronel Cosme Januário “A atuação da PM no local é na verdade um pedido da própria população que tem denunciado diversos roubos e furtos a casa e veículos na cidade”. Declarou o Ten. Cel. Cosme Januário, que ainda ressaltou que a principal missão da operação é deter grupos de infratores conduzindo veículos irregulares ou roubados, infratores com volume do som acima do permitido por lei, infratores que estejam ligados ao tráfico de drogas dentre outros crimes.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Mitouso tem medo de morrer

Para chegar ao gabinete do prefeito de Coari, a reportagem  atravessou três portas que permanecem trancadas e vigiadas por seguranças, guardas municipais e um policial fardado. Mitouso tem medo de morrer. Na noite de 5 de agosto, em Manaus, ocupantes de um Palio atiraram 11 vezes contra a picape em que ele estava. Foi baleado na nuca e no pescoço. Uma bala atingiu a testa do segurança, que também não morreu.
 
Sérgio Torres e Fábio Motta - O Estado de S.Paulo
 
Recém-condenado a oito anos de prisão pelo assassinato do ex-prefeito Odair Carlos Geraldo, o prefeito Arnaldo Mitouso (PMN) afirma que o dinheiro dos royalties é insuficiente para fazer uma boa administração em Coari. Ele, que em agosto passado sobreviveu aos ferimentos de dois tiros disparados em um atentado, disse que, em 2012 pedirá verba ao governo federal para construir sete creches, orçadas em R$ 8,4 milhões, e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Quer também que a Petrobrás ajude financeiramente os projetos sociais da prefeitura.
À frente da administração municipal desde 2009, quando venceu eleição suplementar convocada após o afastamento do prefeito anterior, Mitouso, de 53 anos, culpa seus antecessores por todos os problemas que assolam hoje a população de Coari. Quando assumiu, disse, "as ruas estavam todas estouradas".
"Aqui há muitas carências. Em toda cidade, quando vem o desenvolvimento, vêm os problemas. Coari, até 25 anos atrás, era pacata. Após a descoberta do petróleo virou uma espécie de garimpo. Milhares de pessoas vieram para cá", disse Mitouso.
Segundo ele, o recebimento dos royalties do petróleo trouxe uma expectativa muito grande, que passa uma imagem enganosa da realidade da cidade. "Dá a impressão de que Coari não precisa de ajuda. A realidade não é bem assim. A Petrobrás não tem nenhuma parceria com a prefeitura. As administrações anteriores tiveram um monte de problemas. A Petrobrás ficou arredia. Espero parcerias com ela em 2012", disse ele, ex-bancário que exerceu dois mandatos de vereador e planeja disputar a reeleição no ano que vem.
A sete chaves. Para chegar ao gabinete do prefeito de Coari, a reportagem do Estado atravessou três portas que permanecem trancadas e vigiadas por seguranças, guardas municipais e um policial fardado. Mitouso tem medo de morrer. Na noite de 5 de agosto, em Manaus, ocupantes de um Palio atiraram 11 vezes contra a picape em que ele estava. Foi baleado na nuca e no pescoço. Uma bala atingiu a testa do segurança, que também não morreu.
Mitouso credita o atentado que sofreu "à briga política" que existe em Coari. Ele conhece bem o assunto. Em 22 de novembro passado, o Tribunal de Justiça do Amazonas o condenou por considerá-lo culpado da morte a tiros do ex-prefeito. O crime ocorreu em agosto de 1995, no plenário da Câmara de Vereadores. Como está recorrendo contra a condenação ao tribunal, ele não foi preso. Se perder o recurso, irá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Mitouso admitiu ter disparado contra Geraldo, mas disse que os tiros fatais não partiram de seu revólver. "Tive problemas quando fui vereador. Eu era oposição ao prefeito."
Ele tem outra versão para o que ocorreu há 16 anos: "Tentaram me atacar. Levei dois tiros e disparei duas vezes. (...) Eu portava um revólver 32. No corpo dele (Odair Carlos Geraldo) recolheram duas balas de 22. Foi um tiroteio. Mas eu não matei ele", assegurou.
O principal inimigo político de Mitouso atualmente é o ex-prefeito Adail Pinheiro, que em 2008 foi preso pela Polícia Federal (PF) - ele foi acusado de participar de um esquema que envolvia desde o desvio de verbas públicas à exploração da prostituição infantil.
Em uma casa que seria do ex-prefeito, os agentes encontraram, escondidas no forro, sete malas cheias de dinheiro, totalizando R$ 7 milhões. Pinheiro não foi localizado pela reportagem. No inquérito, sempre negou envolvimento nos crimes investigados pela Polícia Federal. Ele ainda não foi julgado. O dinheiro continua apreendido. Ninguém se apresentou à PF dizendo-se dono dele.
Desde 2008, as contas de Coari não são julgadas pelo Tribunal de Contas do Amazonas. As análises técnicas sugerem a necessidade de uma rejeição formal à contabilidade apresentada pela prefeitura nos últimos três exercícios, mas os conselheiros ainda avaliam as justificativas apresentadas. A auditoria sobre o exercício de 2010 listou pelo menos cem irregularidades em licitações, contratação de funcionários e contratos variados.
Investigações. Coari é uma "operação de guerra" para o tribunal, na definição de um técnico ouvido pela reportagem. Este ano, foram deslocados para a cidade oito especialistas em finanças, contratos, licitações, gestão de pessoal, administração pública e obras, protegidos por seguranças de fora. Aos demais municípios, são enviados no máximo três auditores.
Autor de oito ações civis públicas contra o prefeito por improbidade, o promotor José Fish evita se expor em público. "Estou com medo", disse ele, que em abril teve a casa arrombada. "Derrubaram uma parede a marretadas. Picharam tudo, roubaram equipamentos, roupas." Fish, de 35 anos, conta que nem em cidades na fronteira com Colômbia e Peru, onde também trabalhou, sentiu-se tão assustado como em Coari.
"No mês passado, eu comprei uma arma e estou fazendo curso de tiro. Nunca pensei em andar armado, mas tenho que me defender de alguma forma. Abandonei as caminhadas diárias. Saio do fórum às 17 horas, junto com todos os funcionários. Não fico sozinho lá de jeito nenhum. Não tenho nenhuma segurança. Estou processando 12 dos 35 policiais da cidade por tortura", afirmou o promotor.
Fish pede, em ação civil pública à Justiça, o afastamento do prefeito. A ação aponta Arnaldo Mitouso como responsável pela contratação de um escritório de advocacia para defender judicialmente a prefeitura.
Assinado em janeiro de 2010, com vigência de um ano, o contrato estipula um total de R$ 720 mil em remuneração ao escritório. "Os sócios do escritório são dois assessores diretos do prefeito. Além disso, a contratação não se justifica, porque a prefeitura tem uma procuradoria cuja função é defendê-la na Justiça", disse o promotor.
A Prefeitura de Coari informou apenas que o contrato já foi anulado, mas não comentou o motivo da contratação do escritório.

 Fonte: O Estado de S.Paulo

AM fecha novembro com a 3ª maior produção de petróleo e gás natural

Girlene Medeiros Do G1 AM

Descoberta de Urucu completou 25 anos. (Foto: Divulgação/Petrobrás) 
Descoberta de Urucu completou 25 anos. (Foto: Divulgação/Petrobrás)

O Amazonas ocupa o terceiro lugar na lista dos estados com maior produção de petróleo e gás natural da Petrobrás do Brasil, em novembro deste ano, ficando atrás apenas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. 116.452 mil barris de petróleo e gás foram produzidos no estado por dia. Em todo o país, a produção apresentou um crescimento de 3% em relação a outubro deste ano. Os dados foram divulgados, esta semana, pela Petrobrás.

De acordo com informações da empresa, 51.220 mil barris de petróleo e 10.371 mil metros cúbicos de gás natural foram produzidos, por dia, no estado. A quantidade de gás no município de Coari, a 421 km de Manaus, via fluvial, faz do local o maior produtor terrestre de gás natural. A descoberta do campo de Urucu completou 25 anos no mês de novembro deste ano e o gasoduto Urucu-Coari-Manaus possui capacidade atual é de 6,75 milhões de metro cúbicos, por dia, dos quais 5 milhões são destinados à geração termelétrica.

Ainda na base de Urucu, o Polo Arara produz 1,3 tonelada de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) - equivalente a 115 mil botijas de 13kg - direcionados para o abastecimento do Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Tocantins, Acre, Amapá e parte do Nordeste.
HRT
Outra empresa de exploração de petróleo e gás natural que atua no estado é a HRT. No terceiro trimestre deste ano, a empresa identificou a presença de três intervalos de gás e cinco portadores de petróleo no município do Tefé, distante 631 km de Manaus, via fluvial.

Fonte:  g1.globo.com

domingo, dezembro 25, 2011

Riqueza do petróleo não chega à população de Coari

Município amazonense que mais recebe royalties fora do Sudeste enfrenta graves problemas sociais

24 de dezembro de 2011 | 17h 11
 Sergio Torres e Fábio Motta, de O Estado de S. Paulo
COARI (AM) - A cidade em que peixes, frutas e legumes são lavados no esgoto e expostos no chão é a que mais recebe royalties do petróleo fora do Sudeste brasileiro. A amazonense Coari arrecadou R$ 318,73 milhões desde 2005, pela exploração de óleo e gás em seu território. De janeiro a novembro deste ano a prefeitura faturou R$ 52,64 milhões, três vezes mais do que a capital Manaus (R$ 16,99 milhões). A falta de higiene no manuseio de alimentos é só um indicativo de que, embora rico, o município enfrenta problemas sociais muito graves, provocados por má gestão e desvio de verbas públicas. (veja mais detalhes no vídeo abaixo).

Peixes ficam no chão e são lavados com água suja - Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE
Peixes ficam no chão e são lavados com água suja
O hospital, a maioria das escolas, a estação de tratamento e o aterro sanitário são prédios novos que, por falta de equipamentos e profissionais, ou não funcionam ou prestam serviços de qualidade muito ruim. Esse quadro equipara Coari aos índices sociais de outros municípios do Amazonas. Só que a cidade é a sede da Província Petrolífera de Urucu, reserva explorada pela Petrobrás que armazena 17,6% do gás natural produzido no País. Os royalties pagos a outros municípios do Estado podem ser considerados irrisórios perto das quantias recebidas por Coari nos últimos sete anos.
No ranking de 2011 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) Coari aparece na 17.ª colocação, atrás apenas de municípios do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, beneficiados pela proximidade com as bacias petrolíferas de Campos e Santos. Embora haja dinheiro - royalties de R$ 4,78 milhões por mês, em média, desde o início do ano -, as benesses dessa riqueza não são percebidas no cotidiano de Coari.
Episódios recentes evidenciam bem o problema. No início do mês, a frota de 46 veículos a serviço da prefeitura foi apreendida judicialmente por falta de pagamento à empresa que os alugou. Três balsas lotadas de picapes, caminhões, micro-ônibus, motos e carros com a logomarca da administração municipal partiram para Manaus. Das três ambulâncias da frota, duas foram levadas. A que restou, antiga, não tem condições de uso.
"Minha empresa quebrou. Os carros foram todos sucateados, 14 tiveram que vir no reboque", protesta o empresário Giusepp Amore, dono da Amore Rent a Car, na capital do Amazonas. Ele não revelou o valor da dívida contraída pela prefeitura, estimada em cerca de R$ 2 milhões em Coari. Diz apenas que o governo municipal não lhe pagou nove meses do contrato de locação.
A Petrobrás fechou seu escritório no centro da cidade e deixou de financiar projetos sociais, depois que os últimos prefeitos começaram a ser investigados (um deles foi preso) sob a acusação de embolsar recursos dos royalties. A companhia só mantém as atividades nos três campos em Urucu - na selva, a 200 km de distância - e no restrito terminal do Rio Solimões, de onde escoa a produção de óleo e gás, a 30 minutos em lancha rápida da sede de Coari.
Atraso
Os salários do funcionalismo chegaram a atrasar quatro meses. Neste fim de ano o atraso caiu para um mês. Ninguém sabe direito quantos são os empregados da prefeitura. O prefeito Arnaldo Mitouso alega que ao assumir, em 2009, encontrou destruídos os computadores que armazenavam dados do quadro funcional. Na cidade, falam que são 8 mil empregados, mais de 10% da população de cerca de 76 mil pessoas. No primeiro semestre, 3 mil terceirizados foram demitidos.
A indústria do petróleo, iniciada em 1988 com a produção do primeiro poço em Urucu, atraiu a Coari milhares de pessoas, a grande maioria sem qualificação profissional adequada para o setor. A população dobrou desde 1991, de acordo com os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eram 38 mil habitantes há 20 anos.
Os novos moradores passaram a ser empregados em funções mal remuneradas, como limpeza e trabalhos braçais em obras como o gasoduto Urucu-Coari-Manaus, inaugurado há dois anos, e o terminal do Solimões. Com o fim das construções e o afastamento da Petrobrás, aumentaram o desemprego, o subemprego e a criminalidade.
O delegado Luiz Veiga Martins, chefe da Polícia Civil na cidade, conta que o inchaço populacional fez crescer o número de assaltos e o tráfico de drogas.
"Muitas empresas se retiraram e ficou muita gente sem ter o que fazer. Ficou uma horda de gente, na verdade. Sinceramente, quando vim para cá, há quatro meses, não esperava essa quantidade de problemas. Pensava que era um município mais calmo, pois recebe muito mais dinheiro do petróleo do que os outros", disse ele.
Por dia, são presas três pessoas envolvidas com drogas e registrados 20 boletins de ocorrências. A média de homicídios em Coari é de um por semana. Além do titular, trabalham na delegacia oito investigadores e dois escrivães. Na Polícia Militar, são 35, dos quais dois oficiais.
Doenças
As precárias condições de higiene refletem-se na propagação de doenças entre os coarienses. Paulo David Braga, diretor do Hospital Dr. Odair Carlos Geraldo, conta que as diarreias são a maior causa de atendimento. O pescado é a dieta básica do habitante de Coari, mas a conservação em ambiente refrigerado praticamente inexiste. A venda de tucunarés, tambaquis, piranhas, pirarucus e matrinxãs ocorre na calçada em áreas movimentadas do centro. Tomados por moscas, a temperaturas que ao meio-dia chegam aos 40 graus centígrados, os peixes são, periodicamente, molhados com água retirada dos valões, numa tentativa de mantê-los apresentáveis.
Não há esgoto tratado na cidade. As valas com os dejetos da população, após percorrer quilômetros de aglomerados urbanos, seguem direto para o Lago Coari, junto ao Rio Solimões, que, 450 quilômetros abaixo, forma o Rio Amazonas, após o encontro com o Negro. O encontro das águas, logo depois de Manaus, é uma das mais conhecidas atrações turísticas do Estado.
Em Coari, a taxa de analfabetismo da população com mais de dez anos de idade, de 16,3%, supera em muito a do Amazonas, que é de 9,6%. Os professores queixam-se da sobrecarga de trabalho, da baixa remuneração e de atrasos no pagamento dos salários. As dez escolas da área urbana aparentam bom estado, o que não é suficiente para manter o aluno. Embora não haja dados oficiais, a evasão é calculada, por professores ouvidos pelo Estado, em cerca de 60% dos estudantes do ensino médio.
Sem infraestrutura, cidade vive no caos

A primeira impressão ao desembarcar no improvisado cais, após dez horas de viagem em barco desde Manaus, é de que em Coari o caos impera. Carregadores disputam quase no braço a chance de abordar os recém-chegados; embarcações circulam sem o mínimo ordenamento, o que provoca inacreditáveis engarrafamento fluviais; motos passam em velocidade em meio a pessoas e bagagens; charcos de esgoto formam-se no caminho até a cidade; botos cinzentos e rosados nadam e pulam à espera de comida jogada por meninos.
A impressão inicial torna-se certeza assim que o visitante se desvencilha do tumulto portuário. Em Coari, o meio de locomoção mais empregado é a motocicleta. São 15 mil, segundo cálculo pouco preciso da prefeitura. Em cima delas, podem estar até quatro passageiros. Não há respeito a pistas, faixas de trânsito e sinais luminosos. Os mototaxistas (em número calculado de 3 mil) ocupam as calçadas à espera de clientes. Os pedestres andam no asfalto, entre as motos e o esgoto que corre nas sarjetas. Por mês, 65 feridos em acidentes são hospitalizados na cidade. Os pacientes em pior estado vão para Manaus.
Surpreende também a quantidade de camelôs nas ruas. Vendem, principalmente, DVDs piratas e peixes. Amontoados no chão, os peixes não são pesados. A comercialização é por lotes. Dez piranhas presas em um arame custam R$ 10. A imundície se estende também aos legumes, verduras e frutas. Na rua em que é instalada todos os dias uma feira informal, no centro, as melancias ficam em contato direto com o chão tomado por excrementos.
A 450 km de Manaus pelo Rio Solimões, Coari fica em uma borda do lago Coari. O nome tem origem indígena. A versão mais aceita é a de que vem das palavras "Coaya Cory", que significam "rio do ouro". A cidade cresceu quase junto à margem direita do Rio Solimões. Não há estradas saindo de Coari. O rio é o acesso principal. De Manaus, lanchas que viajam a 60 km/h, com capacidade para cem passageiros, fazem o trajeto em até dez horas. As embarcações vagarosas, que levam até 300 pessoas, amontoadas em redes, navegam no mínimo 20 horas entre a capital amazonense e Coari.
A outra opção de acesso é aérea. Companhias regionais percorrem as principais cidades do interior do Amazonas em voos regulares. O aeroporto de Coari, em péssimo estado de conservação, esteve fechado no início do segundo semestre, porque a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) considerou inaceitáveis as condições da pista. O aeroporto já foi reaberto.

A expansão populacional não foi acompanhada pela melhoria da infraestrutura. Bairros surgiram do nada. Nessas ocupações não há esgoto, água tratada, coleta de lixo e arruamento. A última invasão ocorreu há 45 dias. A prefeitura devastou 12 hectares de selva amazônica para fazer um loteamento e uma estrada entre os bairros Grande Vitória e Pera. Castanheiras seculares, com 60 metros de altura, foram derrubadas. Não houve o obrigatório relatório de impacto ambiental antes da devastação. O Ministério Público do Estado abriu ação civil para apurar o crime ambiental.

A questão do lixo também é dramática em Coari. Inaugurado há quatro anos, o aterro sanitário municipal jamais funcionou. Os detritos são despejados em uma lixeira a céu aberto. Os rejeitos hospitalares vão para o lixão: seringas, gaze e materiais sujos de sangue. Como a coleta urbana é reduzida, toneladas de lixo acumulam-se sob as palafitas construídas nos igarapés (cursos d’água) que cortam a cidade.
Em uma delas, no igarapé Espírito Santo, mora a desempregada Jacilane Marciano Lima. Com 18 anos, é mãe de duas crianças. No casebre de madeira sem banheiro que divide com nove parentes, ela relata ter trabalhado dois meses para a prefeitura, antes de ser despedida. "Não me pagaram nem um salário", lamentou ela, queixando-se também dos mosquitos e dos ladrões.
  

sexta-feira, dezembro 23, 2011

TECNOLOGIA - Internet mais próxima a sete municípios do trecho Coari /Manaus





 Foto: Fibraoptica.ind.br


23/12/2011 – Um par de fibras óticas do Gasoduto da Petrobras que conecta Coari a Manaus será colocado à disposição do Governo do Amazonas, a partir de janeiro de 2012, conforme foi assegurado pelo secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Salvadori Martinhão, e pelo gerente de Planejamento Empresarial da Telebrás, Erivan Fernandes Paiva, ao secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas, Odenido Sena, e ao diretor presidente da Processamento de Dados da Amazônia S/A (Prodam), Tiago Paiva, durante reunião em Brasília na semana passada.
“Nós ratificamos a importância e a revolução que representará para os municípios do trecho Coari/Manaus a conexão com a capital do Estado por fibra ótica”, afirmou Odenildo. “Eles garantiram que a partir de janeiro, já com as fibras à disposição, o Governo do Estado poderá iniciar os investimentos para a conexão das sedes dos municípios com a fibra ótica da Petrobras que acompanha o traçado do Gasoduto”, detalhou Odenildo.

Com a conexão de Manaus a Coari, Codajás, Caapiranga, Anamã, Anori, Manacapuru e Iranduba, possibilitada por essa cessão de infraestrutura de fibra ótica, o Governo do Amazonas poderá ampliar e aprimorar a prestação de serviços para os cidadãos que residem nestes municípios.  

“Há capacidade instalada pelas empresas muito superior ao que é utilizado. Assim, o compartilhamento da rede de fibra ótica não compromete as atividades desenvolvidas por elas”, esclareceu Odenildo Sena. “Além disso, a empresa estará contribuindo para o crescimento e melhoria da qualidade de vida nos municípios que fazem parte de sua área de atuação no Estado”, argumentou o secretário de C&T do Amazonas.

Tiago Paiva destacou que além dos serviços como telemedicina, sistema de educação e sistema de trânsito, é importante salientar que a fibra ótica possibilitará trabalhar os conceitos de cidade digital, disponibilizando internet em espaços públicos. “Em Coari, existe hoje o Amazonas Digital, feito via satélite de forma lenta e cara. Com a fibra, teremos ampliação da capacidade em até 100 vezes”, afirmou.

A proposta do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECTAM) e da Prodam já vem sendo articulada há algum tempo e contempla outras redes de fibra ótica (OI, Embratel e Linhão de Tucuruí). Juntas essas redes permitem implantar a Rede Estadual de Comunicação, conectando órgãos das três esferas de governo: municipal, estadual e federal, em 40 municípios do Amazonas.

CIÊNCIA EM PAUTA/SECTAM (4009 8110)

Fonte: www.sect.am.gov.br

domingo, dezembro 18, 2011

Adail não desiste de vaga na Assembleia do Amazonas

O ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, ainda não desistiu de lutar por uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado. Ele voltou a ingressar com embargos de declaração para tentar reverter o acórdão do TRE que negou a retotalização dos votos do pleito 2010, mas nesta terça-feira o Pleno manteve a decisão de não recontar os votos.

Adail Pinheiro pretendia a validação de duas urnas de Barreirinha, com 559 votos invalidados pelo Tribunal Regional Eleitoral. Caso ele tivesse conseguido, ultrapassaria em número de votos o deputado estadual Luiz Castro, ficando com a vaga dele na Assembleia Legislativa.

Em julho o desembargador Flávio Pascarelli, presidente em exercício do TRE, já havia negado a a recontagem dos votos, afirmando que o pedido de Adail Pinheiro, tinha perdido objeto. Decisão mantida pelo pleno do tribunal.
 

Interior do Amazonas terá quatro usinas a gás em 2012


Foi dada a 'largada' para a mudança da matriz energética no interior do Estado. Até abril do próximo ano, os municípios de Anori, Anamã, Caapiranga e Codajás, percorridos pelo gasoduto Coari-Manaus, terão um avanço nos seus sistemas energéticos com a inauguração de quatro usinas termelétricas movidas a gás.

Os empreendimentos, que demandaram aporte de R$ 32 milhões, aumentarão em 134% a capacidade de energia, conforme a Eletrobras Amazonas Energia.

Segundo o diretor de Geração e Operação do Interior da concessionária, Radyr Oliveira, as obras das usinas estão em pleno vapor e algumas devem ser entregues já no início de 2012.

"A expectativa é de que as primeiras usinas, como é o caso da termelétrica de Codajás, sejam entregues em fevereiro. As obras estão em andamento e algumas em fase de finalização", revela o dirigente.

Com as novas usinas, a capacidade de geração de energia nos quatro municípios será duplicada. Na termelétrica de Codajás, por exemplo, a potência, que atualmente é de 3.200 kilowatts, passará a ser de 5.484 megawatts.

Fonte: EmTempo

Bandidos roubam R$ 1 milhão de banco em Coari, no interior do Amazonas

O bando teria se aproveitado de uma tempestade que caiu sobre o município para levar mais de R$ 1 milhão da agência

Bancos de Coari foram assaltados três vezes só este ano (EUZIVALDO QUEIROZ)

A Caixa Econômica Federal do Município de Coari (distante 363 quilômetros de Manaus), foi assaltada no final tarde deste sábado (17). Segundo informações, os bandidos teriam se aproveitado de uma tempestade que caiu sobre o município para levar mais de R$ 1 milhão da agência, localizada na Estrada Coari-Mamia, 956.

O prédio da agência é alugado pela prefeitura e é ocupado por vários órgão de Coari. O gerente do banco foi informado do assalto por um alerta enviado da agência de Brasilia, informou uma fonte ligada ao banco, que preferiu não se identificar.

Esse é o terceiro banco assaltado só este ano no município. Em junho, um caixa eletrônico do Banco da Amazônia (BASA), foi assaltado e em setembro foi à vez de uma agência do Bradesco.

Fonte: ACrítica

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Justiça determina bloqueio de R$ 3 milhões das contas de Coari (AM)

Dinheiro seria correspondente a repasses do duodécimo - previsto pela Constituição Federal -, da prefeitura para a câmara municipal

 
JOELMA MUNIZ E SÍNTIA MACIEL


Prefeito de Coari Arnaldo Mitouso, afirma que 'sequestro' de aproximadamente R$ 3 milhões dos cofres do município prejudicará pagamento de servidores (Luiz Vasconcelos - 16.04.2010)
Os compromissos da Prefeitura de Coari com o funcionalismo público, fornecedores e demais entidades e instituições que prestam serviço ao município – situado a 363 quilômetros de Manaus -, correm o risco de ficarem sem pagamento neste final de 2011, em virtude de uma liminar expedida pela Justiça, na última quarta-feira (14), em favor da Câmara Municipal da cidade, determinando o bloqueio de aproximadamente R$ 3 milhões dos cofres públicos.

A decisão atendeu um mandado de segurança, solicitado pelo presidente da Câmara Municipal de Coari, o vereador Iranilson Maia, que desde 2009 recorre à Justiça para reaver o pagamento de duodécimos – repasses feitos pelas prefeituras às câmaras municipais, previstos no artigo 29, da Constituição Federal.
 
“O orçamento mensal de Coari é de R$ 15 milhões. Com o bloqueio deste dinheiro, as despesas do município estão comprometidas”, salienta o prefeito de Coari, Arnaldo Mitouso.
Segundo ele, apesar de ter sido eleito e emprossado prefeito em 2009, o dinheiro contestado é referente ao período em que ele ainda não estava à frente do Executivo Municipal.

O prefeito lembra que o processo impetrado pela Câmara, recebeu parecer contrário da juíza de Direito da 1ª Vara da Comarca de Coari, Sheila Jordana Salles (folhas 25, 26), no dia 12 de novembro deste ano, onde a magistrada nega concessão da liminar, por acreditar na necessidade de uma "perícia contábil". Sheila Jordana afirmou em sua decisão estar "temerosa" a concessão, por recair o "risco de irreversibilidade da medida", caso fique comprovado que esses recursos não pertecem a Câmara, que não teria dinheiro para repor ao cofres do município.

Na próxima semana, de acordo com o próprio Mitouso, a prefeitura deverá recorrer da decisão, para evitar que as contas da prefeitura fiquem comprometidas.

Fonte: ACrítica

quarta-feira, dezembro 14, 2011

TCU multa Mitouso por irregularidades na prefeitura de Coari

Segundo denúncias, Mituoso teria realizado licitações irregulares - foto: Giovanna Consentini
Segundo denúncias, Mituoso teria realizado licitações irregulares - foto: Giovanna Consentini
O prefeito de Coari, Arnaldo Mitouso (PMN), foi multado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em aproximadamente R$ 3 mil por irregularidades nas despesas vinculadas a programas educacionais nos exercícios financeiros de 2009 e 2010.

Segundo o relatório de auditoria realizada na prefeitura pelo TCU para examinar as despesas vinculadas aos programas nacionais de Alimentação Escolar (Pnae), de Transporte Escolar (Pnatel), de Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), o prefeito não aplicou corretamente os recursos federais recebidos.

Apesar das irregularidades apontadas, o relator da auditoria, ministro Augusto Sherman Cavalcanti, sugeriu medidas para que durante a execução dos próximos convênios a prefeitura execute os recursos.

Entre as medidas estão: regularização dos contratos com a Seguridade Social e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), tombamento dos bens adquiridos com recursos federais, adequação dos veículos utilizados nos serviços de transporte escolar municipal e aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural.

Ao menos três denúncias de desvio de recursos federais foram recebidas em novembro pelo Ministério Público de Contas (MPC) contra o prefeito de Coari, Arnaldo Mitouso.

De acordo com as denúncias, o prefeito teria realizado licitações irregulares, além de não ter repassado os recursos mensais do Legislativo municipal, nomeado assessores em desacordo com a legislação e ter atrasado o salário dos servidores públicos.

As denúncias foram anexadas na prestação de contas referente ao exercício de 2009 que ainda não foi julgado pelo Corte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
 
Fonte: Em Tempo

Adail Pinheiro pode acabar na miséria

 O ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, está prestes a perder tudo o que tem em bens e dinheiro. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ingressou com agravo de instrumento no Tribunal Regional da Primeira Região, para coseguir a quebra do sigilo fiscal do ex-prefeito e todos os bens que ele conseguiu nos últimos oito anos quando esteve à frente da Prefeitura de Coari.O FNDE vem tentando o bloqueio dos bens de Adail Pinheiro, mas a 3ª Vara Federal, onde o ex-prefeito responde a processo de improbidade administrativa, negou a liminar. Agora o orgão tentará conseguir o bloquio em Brasília.

Entre as irregularidades que pesam contra Adail, estão a má aplicação de recursos no Programa Nacional de Alimentação Escolar. Uma escola que foi inaugurada pelo ex-prefeito há seis anos, por exemplo, foi construída toda em compensado, mas a obra constava como tivesse sido feita em alvenaria.




domingo, dezembro 11, 2011

Municípios do Amazonas terão sinal 3G roaming de telefonia móvel

Serviço permitirá conexão de sinal fora da área original de cobertura. Tecnologia deverá estar em funcionamento a partir de janeiro de 2012.

Vírus usa componentes no PC e no celular para roubar senhas bancárias (Foto: Divulgação) 
Tecnologia vai atender a todos os 62 muncípios do
Amazonas. (Foto: Divulgação)
Empresas de telefonia móvel anunciaram a implantação da tecnologia 3G “roaming” de serviço celular em todos os 62 municípios do Amazonas. O serviço de "interoperabilidade" vai garantir que o usuário possa conectar o sinal de qualquer operadora em locais fora da área original de cobertura.

A medida anunciada após uma reunião realizada, na terça-feira (6), entre representantes das operadas e da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas deverá estar em funcionamento a partir de janeiro de 2012.

De acordo com a Comissão, a disponibilidade do sistema “roaming” pelas operadoras móveis é uma “obrigatoriedade” prevista no termo de referência da lei de licitação da tecnologia 3G. A tecnologia permite compartilhar os sinais das operadoras.

Segundo deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), "o serviço continua sendo pago, mas só a partir de 2012 estará disponível nos municípios amazonenses. "O serviço representa um grande avanço que deverá acabar com a “eterna” inoperância do serviço móvel no interior do Estado.

Dados da Comissão de Defesa do Consumidor apontam que 700 mil pessoas dos municípios do interior do Amazonas deixam de receber os serviços de interoperabilidade
 
Fonte: g1.globo.com