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sexta-feira, agosto 17, 2007

Manobra favorece Adail

População ocupou, ontem, pela manhã, área em frente
ao prédio da Câmara Municipal de Coari em ato de
apoio ao prefeito que tem mandato ameaçado



Aristide Furtado
da equipe de A CRÍTICA

A juíza da 2ª Vara da Comarca de Coari, Ana Paula Braga, reconsiderou, ontem à tarde, sua decisão e permitiu à Câmara Municipal colocar em votação o relatório que pede a cassação do prefeito Adail Pinheiro (PMDB). O presidente do poder legislativo municipal, vereador Osni Oliveira (PSL) disse, contudo, que não levará o parecer à apreciação do plenário porque a oposição não tem mais quórum para tirar o mandato do prefeito.

Para cassar Adail Pinheiro, que é acusado de usar notas fiscais frias para justificar gastos da prefeitura, a bancada oposicionista, composta de seis vereadores, precisava de mais um voto. O sétimo voto seria conseguido com o afastamento do vereador José Henrique, da base governista, e a nomeação do seu suplente Antônio Merelo, que votaria contra o prefeito.

Uma decisão liminar concedida na manhã de ontem pelo desembargador Francisco Auzier, acatando mandato de segurança preventivo da assessoria jurídica de Adail, frustrou os planos da oposição. O magistrado proibiu o afastamento dos vereadores José Henrique, Leodino Menezes, Anacleto Dantas e Adão Martins, todos partidários do prefeito.

Ao ser perguntado quando levaria o relatório à votação Osni Oliveira disse: "agora não interessa mais. Hoje nós só temos seis vereadores. O tempo que o prefeito queria para se articular já teve. Se ela (a juíza Ana Paula) não tivesse dado a liminar para parar a comissão teríamos cassado ele (Adail) ontem. Não vou colocar em votação".

A leitura do parecer da comissão processante mobilizou a população do município. O procedimento deveria ter ocorrido na sessão plenária de quarta-feira. Mas foi suspenso por ordem da juíza Ana Paula Braga. Dezenas de policiais militares estiveram no prédio da Câmara Municipal para dar cumprimento à determinação judicial. O oficial de Justiça Francisco Coelho ameaçou dar voz de prisão a Osni Oliveira caso o relatório fosse lido.

Na manhã de ontem, cerca de 7 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, ocuparam a área em frente da Câmara para acompanhar a cassação de Adail Pinheiro. A maioria delas, segundo o comandante da PM capitão Denildo Brilhantes, prestava apoio ao prefeito. O grupo era puxado por um trio elétrico comandado pelo secretário municipal de Comunicação municipal Walcione Tavares.

Dia sem escola
De acordo com o sindicalista Elson Freitas, as escolas da rede municipal e estadual de ensino liberaram professores e alunos para engrossar a manifestação pró-Adail. As escolas estaduais Instituto Bereano de Coari e Francisco Lopes Braga, segundo ele, teriam agido dessa forma. "Levaram muitas pessoas para declarar apoio ao prefeito. Muitos dos garis estavam lá", disse o sindicalista.

O procurador-geral do município, Aldo Evangelista contesta tal informação. Segundo ele, todos os setores da prefeitura funcionaram normalmente no dia de ontem. "Isso não tem procedência. As pessoas foram por livre e espontânea vontade. Estamos em uma democracia. Não partiu nenhuma ordem do prefeito nesse sentido", disse Aldo Evangelista.

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