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sexta-feira, janeiro 03, 2014

A Economia de Coari

População  75.965 hab.

Área          57.921,906 km2

“A simplicidade tende ao desenvolvimento, a complexidade à desintegração.”

A cidade de Coari, antes conhecida no cenário regional como “Terra da Banana”, hoje é a “Terra do Gás Natural”, título concebido naturalmente depois da descoberta do gás em Urucu - entre o lago Coari e a cidade de Tefé, e início das atividades da Petrobras em terras do município.

Aquela cidade de características rurais, que tinha no produto “banana” importante destaque na economia do Estado, hoje passou a comprar o produto de Manaus, mas não deixou de lado a vocação no setor primário, onde o volume de produção de frutas e hortaliças atende boa parte da demanda local, sendo ainda necessário um complemento via compras, também, de Manaus, devido ao elevado consumo.

Quem visita Coari, atualmente, vê uma cidade em constante movimento. O comércio é muito expressivo. Na área central (Praça do Cristo, Ruas Independência e 15 de Novembro), estão localizados a feira e mercado municipais; as maiores lojas como Casa Modelo, Esplanada e TV LAR; Escritório da Petrobras; Banco do Brasil, Bradesco e Casa Lotérica, além de várias outras empresas de pequeno e médio porte.

A atividade do Polo Industrial de Urucu trouxe muitos benefícios a Coari devido aos volumosos repasses financeiros correspondentes aos Royalties da atividade de exploração. Mas as vagas de emprego geradas localmente não foram todas preenchidas por profissionais nativos. Faltava qualificação profissional.
A alternativa encontrada foi contratar profissionais nas mais variadas cidades e alojá-los em hotéis, pensões, casas, apartamentos e outros imóveis residenciais da cidade. Consequentemente, houve aumento no custo da atividade, devido a outros custos agregados às despesas com salários (no caso, custo de aluguel). Por outro lado, o que indiretamente foi custo para Petrobras (ou diretamente para as empresas contratadas), para os proprietários dos imóveis locais passou a ser uma oportunidade, uma vez que dificilmente outra atividade local demandaria tantos imóveis em Coari.

Já os recursos oriundos dos royalties (40% do total das transferências, base 11/2013) incrementaram sobremaneira as transferências governamentais, principal fonte de renda da cidade, uma vez que a arrecadação de impostos como ISS é insignificante, e os repasses estaduais (IPVA, ICMS, Royalties e IPI) correspondem atualmente a 26% do total das transferências. Tudo isso transformou Coari no município com o maior PIB Per Capita do Estado do Amazonas, superando até mesmo a capital, Manaus, que conta com a produção das indústrias do consolidado PIM (Pólo Industrial de Manaus).


Arrecadação do Município de Coari em 2013

Repasses Estaduais *
R$     49.815.623,09
Repasses Federais   **
R$   163.545.006,67
Total
R$   213.360.629,76

Contudo, a cidade de Coari transformou-se para pior. Não estamos falando de seu povo – sempre honrado e hospitaleiro. Mas ao longo dos anos, na medida em que jorra petróleo do subsolo de suas florestas, aumenta a corrupção e desvios de recursos públicos naquela cidade, enquanto diminui a autoestima e a capacidade produtiva de sua agricultura.

O Município que outrora foi o maior produtor de banana do Amazonas hoje vê seu povo a mercê de um sistema econômico e político cruel: apesar da cidade de Coari apresentar o maior PIB do interior do Amazonas, sua qualidade de vida é vergonhosa e não condiz com sua história e suas riquezas naturais.

Iludida pelo dinheiro de royalties do petróleo, Coari negligenciou sua vocação natural para a agricultura familiar – que traz ganhos e autonomia para os produtores. É preciso usar os recursos do petróleo – que são bem vindos, mas são finitos, em pesquisa e incentivar novamente o plantio naquele município. Assim resgata-se a produção de banana no Amazonas e, quem sabe, a altivez do povo coariense.

Em suma, o setor primário de Coari está desaquecido devido à falta de políticas de abastecimento e incentivo a produção. Sua população tem como mola financeira a inserção em empregos  públicos financiados pelos royalties e a atividades de moto taxista.

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