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domingo, fevereiro 18, 2007

Coari revela contrastes do poder público



Coari (a 370 quilômetros de Manaus) é uma cidade de duas faces: uma bela, outra feia. A divisão não se dá entre ricos e pobres, mas entre aqueles que têm a sorte de morar em uma área de que o poder público cuida ou naquelas abandonadas por ele. Invariavelmente os mais pobres moram na parte feia, apesar das exceções. São esses contrastes que alimentam os discursos da oposição e da situação. O prefeito Adail Pinheiro e seu grupo destacam a cidade bela, enquanto o grupo comandado pelo presidente da Câmara José Wilson Cavalcante (PTB) reclama que a cidade está visivelmente abandonada.

A face bela da cidade é, principalmente, a área central, com praças bem cuidadas, palmeiras imperiais, gramados. Na Coari bonita, as ruas são bem sinalizadas, limpas e pavimentadas. Na Coari feia, as ruas não têm feição de rua: são matagais, com esgotos passando à frente das casas.

Três bairros da periferia de Coari são os principais pontos de concentração das mazelas da cidade. O primeiro bairro, o Biributi (ou Vila Progresso), está localizado atrás da residência do prefeito Manoel Adail Pinheiro. As ruas sem asfalto foram tomadas pelo mato. A rua Lino de Souza, onde mora a comerciante e ex-funcionária pública Maria Áurea Barbosa, 33, além do mato, é cortada por um córrego, que serve de esgoto para as casas de outra rua na parte de cima do bairro. “Isso aqui, quando chove, a gente não entra nem de moto, porque escorrega na lama e cai”. Mais abaixo, o bairro é cortado por um igarapé, transformado em esgoto. Dezenas de casas foram construídas sobre seu leito.

No bairro Santa Efigênia, fundado há 25 anos, os mototaxistas se recusam a entrar para deixar passageiro. “São muito cheias de buraco, a moto anda feito um cavalo”, disse o mototaxista Manoel Soares, 28, que acompanhou a equipe de reportagem. Só foi possível trafegar até metade da rua Urucu, onde mora o agricultor Admilson Alves de Souza, 59. A equipe desceu a pé até a casa dele para ouvir suas reclamações. “Promessa de consertar a rua já fizeram várias vezes, mas não consertam. Estamos, para bem dizer, no centro da cidade. É uma vergonha para uma cidade que é famosa por ter tanto dinheiro”.

O funcionário público Manuel Acácio Menezes, 58, mora na mesma rua Urucu e afirma que o prefeito Adail Pinheiro prometeu recuperá-la logo que assumiu o primeiro mandato, em 2001. A rua Urucu, segundo Menezes, está intransitável há mais de cinco anos.

O bairro Oriente também nunca recebeu asfalto nas ruas. A dona de casa Lindalva da Silva, 34, reclama da dificuldade de acesso, principalmente de ambulância e da polícia. “Quando tem uma pessoa doente, a ambulância não entra em muitas ruas. A polícia nunca vem quando a gente chama”.

Considerada a região mais pobre de Coari, os bairros Oriente, Biributi e Santa Efigênia também concentram grande quantidade de jovens e adolescentes desempregados, que formam ‘galeras’ e ampliam a violência urbana na cidade. “Isso aqui é muito perigoso à noite; eles brigam de terçado”, afirma a comerciante Maria Áurea Barbosa, do Biributi.

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