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quinta-feira, novembro 24, 2011

Coari mostra que incompetência e corrupção são piores que falta de dinheiro

O Município de Coari, com um dos maiores porcentuais de ginásios esportivos cobertos do Brasil, demonstra cabalmente que o maior problema do interior do Amazonas não é a falta de dinheiro. É incompetência e corrupção. Os dois ao mesmo tempo, na maioria das vezes, o que nos deixa distantes até do execrável tipo “corrupto competente”, popularizado como aquele que “rouba mas faz”.

Coari deve estar beirando os R$ 700 milhões de receita anual, graças, em grande parte, aos royalties do petróleo. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Amazonas inteiro, em 2009, conforme divulgado ontem pelo IBGE, atingiu R$ 14.620,94, o de Manaus era R$ 22.303,26, em 2008, mesmo ano em que o de Coari estava em R$ 23.084,39 (leia mais em http://www.blogmarcossantos.com.br/2011/11/23/pib-do-amazonas-teve-crescimento-real-negativo-em-2009). É claro que o Coari evoluiu mais em 2009, 2010, 2011.

Coari tem, segundo a estimativa do IBGE para 2011, 76.646 habitantes. Uma simples passagem de olhos na cidade vai demonstrar que essa renda está superconcentrada e que o dinheiro derramado em obras faraônicas evaporou, sem deixar traço de correspondência com a riqueza que o Município produziu.

O caso do prefeito Arnaldo Mitouso, que ficou sem julgamento por mais de 16 anos, sendo acusado do assassinato do ex-prefeito Odair Geraldo, seu desafeto, na época em que ele, Mitouso, era vereador, demonstra bem a quantas anda a política na cidade. Pior: o ex-prefeito Adail Pinheiro, com condenações de todos os lados e, pelo que tudo indica, emparedado pela Lei da Ficha Limpa, quer lançar a filha como candidata a prefeita da cidade, no pleito do ano que vem, lastreado pelas pesquisas de opinião que o apontam como franco preferido da população.

É um verdadeiro festival de distorções. Um abismo entre a vida econômica, as leis e o retrato social e político do Município.

O Amazonas só poderá erguer a cabeça, diante dos demais brasileiros, quando suas autoridades atuais resolverem esse nó górdio de Coari. Autoridades e nós, cidadãos em geral, que podemos até ter o nariz furado de atravessado, em homenagem a algum ancestral indígena, mas não somos tão cegos a ponto de não ver esse descalabro explícito.

Até porque Coari é só um exemplo. Se as autoridades forem investigar por todo o interior…

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