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quinta-feira, maio 22, 2008

Deputados retomam pedido de CPI contra Adail após ação da PF

Após a Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Vorax desmontando esquema de corrupção em Coari (a 363 quilômetros a oeste de Manaus), deputados estaduais voltam a propor a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o prefeito Adail Pinheiro, apontado pela PF como líder do esquema. A Operação Vorax prendeu, na última terça-feira, 23 envolvidos em fraudes em licitações públicas, prostituição infantil, desvio de dinheiro público e sonegação de impostos.


O deputado estadual Wallace Souza (PP) disse ontem que no início de junho irá reiniciar a coleta de assinaturas para o requerimento da CPI que, segundo ele, já conta com o nome do deputado Ângelus Figueira (PV). Os deputados Vera Lúcia Castelo Branco (PTB), Liberman Moreno (PHS) e Sabá Reis (PR), de acordo com Wallace, já prometeram endossar a proposta. “Vou agir de forma diferente desta vez e vou citar o nome de quem não quer assinar a CPI. Não podem dizer que é o parlamento todo que não se mobiliza. A ALE (Assembléia Legislativa do Estado) deveria ser mais participativa para que esse esquema de corrupção em Coari não continuasse”, disse Wallace. O pedido de CPI ficou para junho porque metade dos 24 deputados viaja na semana que vem ao Ceará para um encontro da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale).

Para ser instalada, a CPI precisa da assinatura de oito parlamentares, ou seja, de um terço dos 24 deputados. A Comissão tem prazo de 90 a 120 dias para concluir suas investigações. A CPI tem poder de polícia e como resultado, pode sugerir ao governador do Estado o afastamento do prefeito e a intervenção no município. Wallace disse que agora o parlamento tem a obrigação de tomar iniciativa sobre as irregularidades em Coari, sob o risco de ficar desmoralizado. “Agora está escancarado. A ALE tem a obrigação de iniciar a CPI que pode sugerir ao governador a intervenção na Prefeitura de Coari”.

A Assembléia tem recebido constantes críticas em relação à omissão diante das denúncias de irregularidades em Coari. Desde o ano passado, o parlamento estadual vem acumulando tentativas frustradas de investigar a corrupção em Coari. Em meados de 2007, Vera Lúcia Castelo Branco propôs a abertura de uma comissão especial que reuniu informações sobre as denúncias, mas foi arquivada sem nenhum resultado na prática. Em dezembro, Wallace Souza tentou apresentar um pedido de CPI, mas a proposta foi abandonada após a retirada de duas assinaturas. Na época, o pedido chegou a ser assinado por Liberman Moreno (PHS), Luiz Castro (PPS), Arthur Bisneto (PSDB), Wallace Souza (PP), Sabá Reis (PR), Ângelus Figueiras (PV), José Lobo (PCdoB) e Walzenir Falcão (PTB). Lobo e Falcão foram apontados como os que retiraram os nomes do pedido.

Para o deputado Liberman Moreno, as tentativas da Assembléia de investigar Adail são dificultadas pelas ligações entre o governador Eduardo Braga (PMDB) e o prefeito de Coari. “Todo mundo sabe da ligação do Adail com o Braga e a maioria dos deputados é da base do governo. Adail é intocável. A base está mais para abrigar o governo do que fazer seu dever de casa”, questionou.

O deputado Luiz Castro também afirmou que irá assinar o pedido de CPI, embora acredite que há pressões externas que inviabilizam o andamento de uma investigação. “A tentativa de fazer a CPI em 2007 foi abortada por uma pressão externa não sei de onde. Não sei se foi pressão do Estado ou do próprio Adail que se articulou entre alguns deputados”, comentou.



Vereadores

Os reflexos da Operação Vorax foramm sentidos também na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Ontem, os vereadores encaminharam uma indicação à ALE para convidar Braga a prestar esclarecimentos sobre a corrupção em Coari.

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